A mistura das contas pessoais com as contas da empresa é uma prática muito comum nas empresas de pequeno e médio porte, isso coloca em grande risco a sobrevivência do negócio. Misturando as contas o empresário não sabe quanto a empresa está gerando de lucro e tem a falsa impressão que o negócio está indo mal, quando na verdade ele está tendo gastos pessoais elevados e sobra pouco para investir na empresa. Em empresas de pequeno porte normalmente o gestor abre a empresa e inicia a gestão do negócio utilizando sua conta pessoal, essa pratica compromete não só a sobrevivência, mas o crescimento do negócio, sem um controle de quanto a empresa está gerando de lucro, o faturamento excedente acaba sendo utilizado no uso pessoal e não sobra dinheiro para investir no negócio.
Como começa a bagunça
Com a abertura da empresa, é comum o aumento do volume de dinheiro movimentado pelo empresário, mas não significa que este dinheiro está sobrando, mesmo sabendo disso é comum o aumento dos gastos pessoais mesmo sem ele saber se pode gastar ou não. Como o faturamento e os recebimentos na empresa acontecem ao longo do mês e não em uma data específica, é comum ir pagando as contas pessoais e da empresa conforme o dinheiro entra e assim comprometendo o negócio.
O negócio vai mal
Misturando as contas da pessoa física com a jurídica, o empresário acaba criando a falsa impressão que a empresa não vai bem pois todas as contas estão misturadas, aluguel, financiamento do imóvel, do carro, escola dos filhos, lanches, combustível do final de semana, etc. Para empresas que precisam repor seu estoque essa prática é ainda mais prejudicial, pois coloca em risco a reposição do estoque. Sem capital de giro as empresas não repõem seus estoques de maneira adequada e perdem vendas lá na frente.
Como separar as contas da pessoa física e da pessoa jurídica
Para separar as contas é preciso que seja estipulado um pró-labore para os sócios e um salário fixo para qualquer pessoa da família que trabalhe no negócio.As contas bancárias também devem ser separadas e utilizadas de maneira correta, utilizar o cheque ou cartão da empresa para pagar contas da empresa e a conta pessoal para pagar gastos pessoais.Quando o carro, imóvel ou outros itens são compartilhados entre o sócio e a empresa, o ideal é estipular um valor de aluguel pelo uso desses bens, esse aluguel deve ser pago ao sócio que possui o bem.O valor deve ser compatível com o mercado, para isso basta fazer uma pesquisa local para verificar quanto custa um imóvel similar na região ou calcular o quanto o carro é utilizado para o uso pessoal e da empresa, verificar quanto é gasto de combustível no mês e lançar este valor com o pró-labore do sócio, contas de oficina, licenciamento, devem ser divididas da mesma forma.
Quanto posso retirar da empresa?
Normalmente o valor do “salário” do dono do negócio é definido conforme suas necessidades pessoais, mas isso é errado. O salário deve ser compatível com a função exercida.Um parâmetro para definir o pró-labore é verificar quanto você pagaria para um funcionário exercer as suas funções.Deve ser levado em conta todos as obrigações e gastos pessoais que você já tem, o valor do pró-labore também não pode ficar abaixo dos seus gastos atuais pois pode comprometer a vida pessoal. Feito isso, a retirada de qualquer valor da empresa para gastos pessoais deve ser descontada deste valor de pró-labore. No final do mês deve ser feito um levantamento e após o pagamento de todas as obrigações da empresa, pode ser feita a distribuição do lucro pelos sócios.É importante salientar que deve existir um pró-labore fixo e somente em caso de lucro no período, deve ser feita a distribuição dos lucros no final do mês ou período.
Quando posso retirar meu pró-labore?
Estipular uma data para a retirada do pró-labore é importante, mas caso o sócio precise fazer alguma retirada antes desta data, a saída do dinheiro do caixa deve ser descontada do valor do pró-labore do sócio.
O que ganho com isso?
Com uma gestão financeira correta tanto a empresa quanto os sócios ganham, essa separação dos gastos permite saber quanto a empresa gerou de lucro, qual o custo do negócio e dos produtos e serviços comercializados. No âmbito pessoal, o sócio faz seu planejamento dentro de um limite sem comprometer as contas da empresa e gasta somente o que lhe é devido, as sobras na empresa podem virar investimentos, estas ações acabam consequentemente gerando um crescimento do negócio. É bom lembrar que a prática de misturar as contas pessoais com as da empresa pode gerar problemas futuros com o fisco, pois seus gastos pessoais podem não condizer com sua renda declarada além de poder ser enquadrado como crime contra a ordem tributária.




